Podemos dizer que Acesso livre e UNL (Universal Network Language) são iniciativas complementares, apesar de serem iniciativas distintas, elas se aproximam pela finalidade que é a diminuição de barreiras para a comunicação científica. Para um melhor entendimento do papel
de ambas as ferramentas apresentaremos breves características.
O Acesso Livre – open acess – é um movimento mundial que prega a disponibilização da informação científica livremente na internet através de repositórios eletrônicos. No Brasil, usamos duas traduções para o termo em inglês: Acesso Aberto que é a tradução literal, e Acesso Livre que a tradução conceitual do termo. A segunda é mais utilizada, pois ao dizermos que o acesso é livre, queremos dizer que além de ele ser aberto (sem restrições de uso), ele também é livre de custos para o usuário. Hélio Kuramoto em seu blog justifica essa tradução citando Peter Suber: “…acesso livre significa que é digital, que é acesso em linha, que o acesso é gratuito e livre da maior parte das restrições relativas a direitos autorais e licenciamento…” Disponibilizar o conhecimento científico em Acesso Livre ajuda no desenvolvimento de toda ciência, garante mais visibilidade à pesquisa e reconhecimento ao autor.
Por sua vez, a UNL é uma linguagem artificial projetada para permitir a representação do conhecimento de forma digital. Ela foi desenvolvida em 1996 no Instituto de Estudos Avançados da Universidade das Nações Unidas em Tóquio, no Japão; instituto esse dirigido por um brasileiro, o professor PHD Tarcísio Della Senta.
A UNL tem como objetivos: o combate à exclusão digital e à diminuição da desigualdade entre as pessoas e povos. Ela permite a inclusão social, porque facilita o acesso à informação quebrando as barreiras de idioma. Diferentemente de um tradutor on-line, que traduz palavra por palavra, a UNL é capaz de interpretar conceitos tornando o acesso ao conhecimento científico legível para o usuário através de um processo onde os conceitos são transformados em códigos digitais e automaticamente reconhecidos pelo sistema que consegue representar o conteúdo semântico dos textos em qualquer língua natural. Na prática, a versão original do documento passa por traduções em múltiplos idiomas simultaneamente, eliminando ambigüidades, o que permite a comunicação multilíngüe.
A aproximação entre Acesso Livre e UNL acontece pela complementação de suas funções. Ter acesso ao conhecimento produzido mundialmente é um grande avanço para as ciências e povos, mas adquirir informações científicas em um idioma legível pelos usuários torna o processo de comunicação mais eficaz, diminuindo as restrições de acesso devido à língua em que o documento foi escrito. Nas palavras de Della Senta:
“A gente tem que falar inglês para ter acesso à ciência de ponta. Mas ciência de ponta pode estar Rússia! Para o espaço, a ciência de ponta está na Rússia. Quem é que tem acesso? A China tem uma série de desenvolvimentos que são muito interessantes. Para os japoneses, qual é o acsseo? A não ser que tudo venha pelo inglês…” INTERNET. (DELLA SENTA, 2004)
O Acesso Livre e a UNL são iniciativas pioneiros na planificação do acesso à informação científica, mas ainda há muito que fazer. Atualmente existem barreiras culturais, econômicas e de comunicação, contudo o número crescente de repositórios e de adeptos mostra-nos que estas são ações vieram para se solidificar.