Na semana passada, estivemos, o diretor do Ibict e eu, Prof. Emir José Suaiden, em reunião com dois dos secretários do Ministério da Ciência e Tecnologia: Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (SETEC) e Secretria de Política de Informática (SEPIN). Em ambas as reuniões, foram tratados assuntos relacionados com as ações do Ibict no contexto da informação científica e tecnológica.
Aproveitei esta oportunidade para externar a preocupação que tenho sentido no seio da comunidade científica, em especial de alguns setores, relacionados à possibilidade de o Brasil, ao abrir o acesso ao conhecimento científico gerado aqui, oferecer de bandeija os resultados das nossas pesquisas, possibilitando aos setores públicos e privados, principalmente, os estrangeiros, a cópia e/ou patenteamente de alguns desses resultados.
É evidente, como tenho defendido por diversas vezes, que, efetivamente, não é o acesso livre à informaçãoc ientífica que vai entregar os nossos resulados de pesquisa a outrem, uma vez que quem escreve é o próprio pesquisador. Além disso, estarão depositados nos respositórios institucionais de acesso livre tudo o que já foi publicado. Não estamos propondo nenhuma nova alternativa de comunicação científica, ou nenhum novo modelo de negócio de comunicação científica. Portanto, não são as ações e iniciativas visando o livre acesso ao conhecimento que vai entregar os nossos resultados de pesquisa. Mas é preciso a criação de mecanismos, crieo eu, no contexto da lei de inovação, para que se previna contra essas possibilidades.
É sabido que a Agência Brasileira de Inteligência vem trabalhando essa questão, mas é preciso que o goveno brasileiro adote ou crie determinados meacanismos de proteção. Assim, aproveitei a oportunidade oferecida por essas duas reuniões para discutir e sensibilizar os nossos dirigentes para o problema que é colocado e que não pode ser entendido como uma possível conseqüência das iniciativas do acesso livre ao conhecimento científico.